A nutrição, no seu sentido mais básico, refere-se à ingesta de alimentos (alimentação), especialmente de líquidos que necessitamos para sobreviver. Após um procedimento cirúrgico, nossas dietas nutricionais são aumentadas, a fim de facilitar a cicatrização.

Para os pacientes da Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, essa necessidade pode ser particularmente desafiadora por várias razões. A presença de incisões dentro da boca e o inchaço pós-operatório, fazem que seja mais difícil para mastigar ou engolir normalmente. Adicionalmente, o tipo de procedimento cirúrgico obriga o paciente a ter uma dieta limitada a fluidos e alimentos pastosos, durante várias semanas. Esses fatores, em combinação com as necessidades aumentadas de nutrientes após a cirurgia, impõem uma barreira para que o paciente esteja bem nutrido.

1. CIRURGIA ORTOGNÁTICA, DA ATM E DAS FRATURAS FACIAIS

No passado, os pacientes que se submetiam a cirurgia dos maxilares ou das fraturas da face tinham as arcadas dentárias imobilizadas para promover a cicatrização. Isso era obtido através de fios de aço para unir os dentes. A técnica moderna preconiza o uso de pequenos parafusos e placas de titânio para assegurar o posicionamento correto dos ossos e sua imobilização. Esses dispositivos são pequenos a ponto de serem quase totalmente imperceptíveis aos pacientes e não são removidos depois da cicatrização. Porém, devido ao seu tamanho, esses parafusos e essas placas são incapazes de resistir às forças da mastigação que podem chegar a 100 kg, portanto é necessário dar algum tempo para que os sítios cirúrgicos cicatrizem-se.

2. NUTRIÇÃO DIÁRIA E APÓS UMA CIRURGIA

Imediatamente após a cirurgia, inchaço fará com que seja difícil o consumo de alimentos sólidos. Durante esse período, que levará em torno de 3 meses, toda a alimentação consumida deverá ser apenas na forma líquida ou pastosa; um desafio imposto às necessidades nutricionais diárias de um paciente adulto.

A água é mais importante para a vida do que os alimentos. As pessoas podem viver semanas sem comida, porém somente alguns dias sem água. Cerca de 70% do peso corporal do adulto é constituído de água. Ela é um componente essencial do sangue, linfa, secreções do corpo, do interstício (líquido extracelular) e de todas as células do corpo (líquido intracelular).

Do ponto de vista nutricional, a água nunca vai substituir o arroz e o feijão. Contudo ela é tão eficaz na missão de transportar micronutrientes para dentro do organismo que é considerada um alimento. “Trata-se de um veículo de nutrientes extremamente importante”.

A água é necessária para o funcionamento de cada órgão no organismo. Ela é o componente estrutural das células. Quando as células perdem água, elas perdem também suas formas. A água é o meio universal onde ocorrem as várias reações químicas do corpo. A água, como meio de transporte, auxilia a digestão, absorção e excreção; é essencial para regular a temperatura do corpo; tem importância nas funções mecânicas, tais como lubrificação das juntas e movimentos das vísceras na cavidade abdominal.

A água ajuda o trabalho dos rins, que têm a importante missão de eliminar toxinas do corpo. Também estimula o bom funcionamento dos intestinos. Aliás, os líquidos são essenciais para que as fibras alimentares não fiquem paradas ali e o órgão possa fazer seu serviço, expulsando os dejetos e tornando as fezes pastosas.

Uma criança precisa beber pelo menos quatro copos de água ao dia. A média diária da ingestão oral de água pelo adulto é de 1,5 a 3 litros. Todos os dias uma pessoa normal perde cerca de 3 litros de água, eliminados na urina, nas fezes ou na transpiração. Esses são mecanismos utilizados pelo organismo para manter as funções vitais, e entre elas, regular a temperatura corporal. Cerca de 1 litro é reposto pela alimentação. É por isso que, para completar a reposição das perdas, recomenda-se a ingestão de pelo menos 2 litros de água por dia. Após uma cirurgia esse consumo deve ser aumentado.

3. NECESSIDADES DIETÉTICAS E SUPLEMENTOS ALIMENTÍCIOS

Para repor nossas energias, necessitamos nos alimentar diariamente. O valor energético dos alimentos pode ser expresso em calorias. Segundo os nutricionistas um adulto deve ingerir entre 2.500 a 2.700 calorias diárias, desde que faça algum exercício físico. Os mais sedentários de 1800 a 2000 calorias. Os alimentos que apresentam maior número de calorias são os lipídios ou gorduras (manteiga, azeite, margarina, pasta de amendoim). Cada grama de gordura animal ou vegetal pode aumentar em muito as calorias da sua dieta. Os glicídios (açúcares e derivados), contribuem com 4 calorias por grama – a mesma quantidade fornecida por proteínas, presentes na carne, peixe, frango, ovos, laticínios e certos vegetais, como as leguminosas (feijão, soja, ervilha). Após uma cirurgia, essa dieta calórica pode ser aumentada de 1 a 2 semanas, podendo voltar ao normal após esse período.

Muitos suplementos líquidos nutricionais tais como Ensure®, Sustacal® e Boost®, estão disponíveis nas farmácias ou em casas de suplementos dietéticos, e devido a sua alta densidade calórica e balançada presença de proteínas, calorias e vitaminas, o objetivo de não perder peso poderá ser alcançado. Esses suplementos podem ser adicionalmente aumentados com batidas e vitaminas contendo frutas, proteínas em pó e outros aditivos. Pode ser uma boa ajuda fazer um registro diário da dieta da quantidade de fluidos e das calorias ingeridas a fim de assegurar que os objetivos nutricionais estão sendo alcançados.

Seguindo essa breve dependência de líquidos, uma dieta semi-sólida e não-mastigável deverá ser iniciada. Essa dieta deve ter uma consistência que pode ser consumida sem a necessidade de ser mordida ou mastigada. Uma grande variedade da sua alimentação diária normal pode ser consumida: ovos mexidos, panquecas, macarrão bem conzido, purê de batata, peixe como o atum em lata, etc. . Lembre-se, é muito importante evitar o estresse sobre os sítios cirúrgicos até que eles estejam totalmente cicatrizados e consolidados. Essa dieta deverá ser mantida durante 3 meses, quando uma dieta sólida normal será liberada.

O Dr. Éber Stevão sempre prescreve uma dieta líquida hiperprotéica e hipercalórica durante o internamento dos seus pacientes e após a alta uma dieta mais pastosa é orientada, para ser ingerida de forma mais freqüente durante o dia.

Texto escrito por Éber Stevão  CROPR 7861. Todos direitos autorais reservados.